Cubano está disposto a morrer pela liberdade na ilha de Fidel
SÃO PAULO - O jornalista e psicólogo Guillermo Fariñas, de 46 anos, vem de uma família de autênticos revolucionários cubanos. Seu pai lutou ao lado de Ernesto Che Guevara na guerrilha no Congo em 1965. Sua mãe também participou da derrubada do regime de Fulgêncio Batista. Na juventude, Guillermo estudou na União Soviética e serviu ao Exército cubano. Ele diz já ter feito 23 greves de fome desde 1989, quando entrou para oposição.
A mais famosa delas aconteceu em 2006. Fariñas, então diretor da agência de notícias independente Cubanacán Press, decidiu protestar contra a censura à internet em Cuba. O jejum durou quatro meses e o deixou a beira da morte, segundo a Organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras. Desde que passou para a oposição, ficou cerca de 11 anos e meio na prisão.
Em 2007, a Repórteres Sem Fronteiras deu ao jornalista o prêmio Liberdade Cibernética pela sua luta pela liberdade de acesso à rede em Cuba.
A última greve de fome do jornalista começou no último dia 24 de fevereiro, após a morte do dissidente Orlando Zapata, vítima de um jejum de 85 dias. Com o novo protesto, Fariñas pede a libertação de 26 presos políticos que estão doentes em Cuba. Em uma entrevista ao jornal espanhol El País, o ativista disse estar preparado para morrer por essa causa.
"Já é hora do mundo perceber que este governo é cruel. Há momentos na história em que devem haver mártires", disse Fariñas ao jornal.
No começo desta semana, o dissidente rejeitou uma oferta para receber ajuda médica na Espanha. A imprensa oficial cubana disse que o regime lava as mãos diante de uma possível morte do jornalista e o acusou de chantagem.
Fonte: Estadão