Depois do terremoto no Chile os dias ficaram mais curtos na Terra
Esta é uma das consequências surpreendentes dos grandes abalos sísmicos. Eles liberam energia capaz de modificar o tempo de rotação da Terra e, assim, a duração de um dia.
Depois que a Terra tremeu no Chile, na noite de sexta para sábado, os dias terrestres encurtaram. Segundo os cálculos de Richard Gross, geofísico do laboratório de jato de propulsão da NASA, daí em diante nosso dia terrestre tornou-se 1,26 microssegundo mais curto.
Para explicar o fenômeno, precisamos entender que a colossal energia liberada pelos movimentos das placas tectônicas mudaram – ainda que imperceptível– a distribuição das massas em volta do eixo de rotação da Terra. Redistribuídas, as massas reduziram o tempo de inércia terrestre. Por sua vez, este tempo de inércia se opõe ao movimento de rotação. Desta forma, a velocidade de rotação de nosso planeta sobre ele mesmo aumentou e, portanto, os dias encurtaram.
Mas, os dias continuarão a reduzir indefinidamente? Os dias ainda continuarão tendo 24 horas durante alguns anos! Com o terremoto do Chile, os dias perderam 1,26 microssegundo; com aquele da Sumatra, motivo do terrível tsunami de 2004, foram mais 6,8 microssegundos. Insignificante para certo articulista do jornal francês Le Monde.
Em 1987, Benjamim Fong Chao e Richard Gross foram os primeiros a descrever com exatidão esse fenômeno. Após o tsunami de 2004, eles publicaram um artigo num jornal americano de geofísica. Lançaram a pergunta: um grande abalo sísmico poderia ou não modificar a rotação da Terra?
E a resposta foi: “definitivamente, a resposta é sim. Mas, isto realmente dependerá do tremor de terra ser pequeno ou grande, de variações sazonais dos oceanos e da atmosfera, do degelo das calotas polares, de tempestades tropicais ou ainda de um ônibus que circula na cidade.”
Portanto, a olho nu, não percebemos a mudança na duração de um dia. Mas, evidentemente, somando-se às outras alterações na Terra, o plan
eta já anunciaria seu fim.
Fonte: Le Monde